sexta-feira, 17 de abril de 2009

MARKETING & POLÍTICA...

O marketing transformou-se em um instrumento indispensável para a sobrevivência dos empresários e de suas instituições. Segundo o patrono do assunto Philip Kotler marketing é “a actividade humana dirigida à satisfação das necessidades e desejos através de um processo de troca”.
Toda campanha política, necessita de uma gama de criadores, onde cada passo é uma nova criação. A criação nasce do confronto. Opõem o seu cliente é uma necessidade profissional. Todo político é muito conquistado, não há candidato sem conquista. Os seus assessores e aqueles que andam muito próximo a ele o cobrem de louvores que o carregam. Mas, mesmo assim, ainda existem muitos políticos que, mesmo cercados de incompetentes assessores, lisonjeado o tempo todo, não conseguem abrir os olhos e observar o inverso da situação. Não conseguem sequer, perguntar para si mesmo, que produto estão oferecendo, que ideia estão a transmitir e que percepção os eleitores estão tendo.
Em marketing político, a comunicação é como uma droga. Em doses adequadas é medicamento, em doses elevadas é veneno fatal. É necessário comunicar, mas pior do que não fazer publicidade é fazê-la em excesso. Usar a palavra a todo momento banaliza a imagem do político. É preciso saber o momento certo e falar com muita moderação. O segredo da boa comunicação está nos detalhes que empregamos a ela e na moderação que aplicamos em nós mesmos.
As campanhas eleitorais vencedoras devem ser multidisciplinares, envolvendo uma série de profissionais de diversas áreas. Não existe mais espaço para as campanhas de improviso, feitas apenas na base da intuição de acordos políticos. Acabou a era do candidato centralizado no poder.
1. ONDE O VOTO É MARKETING
O voto é dominado por três componentes distintas: 1) ideológico; 2) político e 3) eleitoral.
O voto político é assente de forma directa, numa relação pessoal entre candidato e eleitor. Em cidades pequenas esse factor é grande e chega a 80% da motivação dos votos.
O voto ideológico actua apenas uma pequena parcela dos eleitores. O discurso de esquerda, de direita, do socialismo ou liberalismo afecta pouco mais de 5% do eleitorado, atingindo o máximo de 10% no mercado nacional.
O voto eleitoral, representa o esforço concentrado de conquista do eleitor, é o campo de actuação do marketing político. A sua influência cresce com o tamanho do universo eleitoral. Chega a atingir até 70% das decisões de voto.

2. MARKETING POLÍTICO E MARKETING ELEITORAL
O marketing político está relacionado com a formação de imagem a longo prazo. É utilizado por pessoas e políticos que desejam projectar-se publicamente.
Já o marketing eleitoral é de curto prazo. As estratégias e as tácticas de comunicação são montadas em cima de um ambiente vivo, já existente, em andamento e não de um ambiente criado.


3. O MERCADO ELEITORAL COMPETITIVO

O mercado eleitoral competitivo é composto por dois agentes básicos candidato e eleitores. O candidato deseja do eleitor informação e voto. Informação para poder criar programas de actuação política e o voto para chegar ao poder e desenvolver o seu programa.
Por outro lado o eleitor deseja do candidato uma boa comunicação e o cumprimento das promessas e dos favores.


4. O ELEITOR
Um dos problemas mais clássicos da ciência política é estudar e determinar o padrão de comportamento dos eleitores. Como ele pensa e decide o seu voto? Existe algum motivo para a escolha do seu candidato, quais aspectos que padronizam essa escolha?

Para responder a estas questões de forma concreta, seria necessário a realização de um estudo sobre o comportamento do eleitor, para conseguir chegar ao consenso de que existem três leis fundamentais de posicionamento do eleitor, vou deste modo fazer apenas um estudo nos comportamentos que tenho e vista (podem não estar certos na sua totalidade), são eles:
Lei da Indiferença: Onde o eleitor, quando entra na cabine eleitoral põe fim a um difícil processo de tomada de decisão. Neste momento ele lembra-se de Zidane, Lenny kravitz, dos Lambas e de outras personalidades de forte presença na sua mente, menos nos candidatos, porque para ele, é tudo igual, é indiferente votar nesse ou naquele candidato.
Lei da Procrastinação: Representa o máximo adiamento. O eleitor adia, sempre que puder, a sua decisão de voto para o período mais próximo possível da eleição. Cerca de 90% das pessoas ao dirigir-se a cabine eleitoral, já tem o seu candidato garantido, mas 10% ainda entram para votar, com muita dúvida, são os procrastinados e, esses podem decidir uma campanha mais estimulada.
Lei da efemeridade: As ideias e aspirações da sociedade obedecem a um ciclo de vida determinado (corrupção, ecologia, crise económica, violência, etc.). A lei da efemeridade trata dos ciclos das ideias e aspirações, onde elas nascem, crescem, se desenvolvem, desgastam-se e desaparecem. Um candidato começa a defender uma causa ou uma ideia, a crise económica, por exemplo, num momento em que o mundo inteiro não fala mais no assunto, é aderir a uma moda que aos olhos do eleitor já está ultrapassada, porque o mundo está preocupado neste momento é com o combate à crise financeira.




5) O CANDIDATO
O candidato é o vínculo de ligação entre as causas públicas e o eleitor. É a primeira montra dos partidos, das ideologias, das estratégias de marketing e dos seus ideais. O candidato é o conteúdo, é um contexto amplo entre partido, ideologia, vida e sua participação na vida social.
Os factores que compõem um candidato são:
Potencial próprio: capacidade de liderança, habilidades, comunicação, habilidade de discurso e o seu carisma...
Factores Internos de pressão: Grupo político (partido) e grupo de financiamento
Factores Externos de pressão: Eleitores e adversários...



6) COMUNICAÇÃO
Cada dia que passa às pessoas são bombeadas por milhões de informações e estímulos. É claro que elas não conseguem processar e manter todas as informações, o que acontece é que a mente simplifica o que é recebido, aceitando apenas aquilo que interessa. A arte de se fazer ouvir, de se comunicar e persuadir está na identificação do caminho mais rápido para a mente. A pirâmide de Maslow, por exemplo, fornece pistas para descobrirmos o melhor caminho. Segundo ele as reacções das pessoas aos estímulos são determinadas basicamente pelas necessidades básicas (fisiológicas) até as mais elevadas (auto-realização).
A informação electrónica é considerada hoje como o “segundo deus” pela sua omnipresença e seu poder de influência sobre as pessoas. Cada veículo tem uma linguagem muito específica, mas quando se trata da televisão, a linguagem aproxima-se bastante do quotidiano das pessoas, de forma simples e directa. O candidato deve estar ciente de que está usurpando a privacidade dos eleitores, é nessa hora o equilíbrio e a moderação, devem fazer parte de seu comportamento, pois é como se ele estivesse conversando com o eleitor em sua casa.

7) PESQUISAS
Um ditado de Maquiavel que diz “ a realidade é como é, não como gostaríamos que ela fosse”, resume muito bem a importância da pesquisa na vida do candidato e mais ainda na vida do eleitor.
As pesquisas podem mencionar três tipos de levantamento para avaliação do eleitorado. As pesquisas de opinião pública procuram mencionar o conhecimento da população sobre determinados assuntos como ecologia, privatização, casamento homossexual, economia, política, área social e etc. As pesquisas de acompanhamento e desempenho administrativo levantam os principais problemas da população, avaliam o desempenho dos governantes, confrontam a imagem administrativa, o grau de conhecimento dos projectos e das obras realizadas e o grau de satisfação com os serviços públicos. Já as pesquisas eleitorais, por sua vez, procuram detectar as intenções de voto do eleitor a cada momento, avaliando o potencial de adesão ou rejeição de cada candidato.
Os factores de maior relevância numa pesquisa são: a imagem do candidato, a sua trajectória política, o seu carisma e a sintonia com o eleitor, o programa de governo, a principal meta do governo, a sua profissão, o partido político, os seus apoiantes e o grupo social em que está inserido ou se identifica.
Nas eleições, como na guerra, grande parte das batalhas é decidida em tempos de paz. A preparação da campanha inicia-se com a avaliação do eleitor, do potencial próprio do candidato e de seus prováveis inimigos.


8) PRINCÍPIOS ESTRATÉGICOS
“ O mundo não é para principiantes” (Cláudio d-sá Miranda)
1.) Mantém sempre um trunfo contra seus inimigos e saiba quando deve ser accionado;
2.) Conheça o que pensa o eleitor, antes de partir para a conquista;
3.) A melhor forma de conquistar a mente do eleitor é ser primeiro a chegar;
4.) Não basta ter o perfil desejado pelo povo, é preciso associar a imagem antes dos adversários;
5.) Trabalhar na linha de menor resistência ao posicionamento na mente do eleitor;
6.) Procure maximizar os pontos favoráveis e minimizar as falhas, se possível convertendo-se em virtudes;
7.) Procura antecipar o ciclo de ideias e aspirações que predominará no momento da eleição;
8.) O eleitor associará sempre o candidato a continuidade ou a mudança. Harmoniza sua imagem com a tendência predominante, respeitando os limites impostos pela sua personalidade;
9.) Concentra o seu discurso na valorização e na união do partido;
10.) Convenção é sinal de força. Se for conveniente, antecipa a convenção;
11.) Concentra forças no seu principal inimigo, não estrague munição atirando para todos os lados;
12.) Procura sempre antecipar-se aos movimentos dos adversários que possam ameaçar sua posição antes que seja preciso reagir;
13.) Confirma os defeitos do inimigo junto ao eleitorado. Ataca nesse ponto.
14.) Procura demonstrar discrepância entre o discurso do candidato e o seu passado;
15.) Utiliza a força de liderança para eliminar as possibilidades de reacção do inimigo;
16.) Redirecciona forças para os segmentos que apresentam maior potencial de votos;
17.) Se a polarização é inevitável, procura levar seu adversário para o campo que lhe seja mais favorável;
Fonte: Livro “VOTO É MARKETING, O RESTO É POLÍTICA” (Jacques Seqüela) Edições Loyola
9) MARKETING POLÍTICO PERMANENTE
A campanha permanente em acção requer uma composição de uma equipa com profissionais altamente competente. A comunicação funciona como a outra ponta do processo de marketing permanente. Um problema resolvido não apresenta muito benefício à imagem do político, se não for adequadamente divulgado. Se o político se omite, não comunica, em determinadas ocasiões, ele deixa espaço para o crescimento da oposição, bem como, deixa espaço também para versões distorcidas dos seus opositores.


Marketing. Aquela coisa que os empresários inventaram e os políticos descobriram…

*Concordam com essa ideia?

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